sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Mercado de Cinema · Macau tem mercado para as ideias


As indústrias culturais e criativas entram este ano num novo ciclo de financiamento público.



Sónia Nunes



O Fundo das Indústrias Culturais, com um orçamento de 200 milhões de patacas, deve ser activado no segundo semestre deste ano. O que fazer com este dinheiro é a pergunta que agentes e conselheiros estão a tentar responder desde Outubro – ainda que todos reconheçam o potencial do sector na criação de empregos e de riqueza.

O factor de diversificação económica foi destacado ontem por José Chui Sai Peng, vice-presidente do Conselho das Indústrias Culturais (CIC). Os candidatos “devem ser cuidadosos no desenvolvimento do plano de negócio e terem a certeza de que é sólido, para que a ajuda do Governo não seja desperdiçada”, disse, ouvido pela Rádio Macau à saída da primeira reunião do ano do conselho. Numa ideia: o fundo existe para fazer “negócio a sério”.

Para Manuel Correia da Silva, designer e co-fundador da agência criativa Lines Lab, isto são boas notícias. “A grande diferença é que a oportunidade é para as empresas. Até agora, havia os esforços do Instituto Cultural para apoiar projectos individuais. Com este fundo, há uma visão industrializada da cultura”, distingue. “É este o contexto: apoiar projectos empresariais para evitar que boas ideias fiquem no papel por falta de financiamento inicial”, confirma José Sales Marques, economista e um dos curadores do fundo.

“As minhas dúvidas estão no perfil das empresas e no tipo de projectos abrangidos”, hesita Manuel Correia da Silva. No chapéu das indústrias criativas cabem muitas áreas, continua o arquitecto Carlos Marreiros, que também faz parte do CIC e aponta para a definição alargada da UNESCO para o sector (ver caixa). “Há criativos de qualidade em todas as áreas. O que é preciso é uma mentalidade ‘business oriented’, que o agente criativo tenha um sentido de mercado, de produção e de divulgação”, destaca.

Manuel Correia da Silva problematiza: “Duzentos milhões de patacas é algum dinheiro mas, se houver uma grande divisão por áreas, acaba por ser muito pouco”. Os critérios para a atribuição de fundos estão ainda em debate.



Jogo é criativo



A sinergia entre cultura, turismo e indústria representa para o Governo uma alternativa no sector económico, mas a ideia é considerada irrealista por alguns analistas face ao peso esmagador dos casinos na criação de riqueza. “Estamos a falar de uma indústria de futuro, mas com riscos. Se há áreas em que o investimento é mais rápido e mais rentável, por que hão-de investir numa que não dá grandes lucros?”, lança Marreiros.

Sales Marques responde: “Há que evitar os extremos. Não podemos dizer que não têm importância nenhuma. São uma alternativa ao jogo? Claro que não”. Nem têm de ser, adita Manuel Correia da Silva, que lista os produtos criativos presentes nos casinos. Há as fardas dos funcionários. Os menus dos restaurantes. A publicidade. Os vídeos. As fotografias. Os concertos. As exposições.

“Existe potencial e existe necessidade – a começar pelo sector que tem mais importância na economia”, confirma Sales Marques. “Há um mercado interno para as indústrias criativas, pequeno mas interessante porque é extremamente competitivo e tem um nível de exigência internacional”, diz. É aqui, no trabalho com operadoras mundiais, que os produtos e serviços produzidos em Macau ganham também potencial de exportação.

Os desafios, indica Manuel Correia da Silva, são os que existem para qualquer outra empresa em Macau: mão-de-obra, renda e concorrência na região. “Temos de ser mais competitivos e mais produtivos. Pequim, Singapura, Hong Kong, são mercados muito capitalizados, com uma velocidade de produção e de consumo muito rápida”, explica.

“Há um mundo, em Macau e na região, que pode ser feito”, diz, optimista, Carlos Marreiros, ao imaginar candeeiros de rua e bancos de jardins com um “bom design” e quatro critérios: “Qualidade, originalidade, criatividade e viabilidade económica”. E mais um. Identidade.



1 – A UNESCO propõe uma definição das indústrias culturais e criativas com base em classificações económicas internacionais. Podemos falar em seis áreas. Há o património, com os museus, locais e sítios históricos. Os espectáculos e festivais, do teatro às feiras de gastronomia. Nas artes visuais, considera-se a fotografia e as disciplinas plásticas. Temos ainda as publicações (livros, jornais e revistas) e as feiras de livros. Rádio, televisão, cinema, vídeo e Internet também estão abrangidos. Há, por fim, os serviços criativos, onde cabe a moda, a arquitectura e o design gráfico, de interiores e paisagístico, mais a publicidade. Só para dar alguns exemplos.



2 – Como vai funcionar o Fundo de Indústrias Culturais? Está em discussão. O CIC reuniu-se ontem para discutir relatórios de trabalho sobre a política de subsídios e recursos humanos. Os conselheiros têm, pela primeira vez, informações sobre quem tem qualificações na área das indústrias culturais e criativas em Macau. “O Governo tem finalmente uma política definida e a ênfase que se pretende dar. Esse documento é muito útil e julgo que o Governo irá divulga-lo na devida altura”, disse Chui Sai Peng, segundo a Rádio Macau. O CIC quer garantir transparência na concessão de subsídios.

fonte: http://pontofinalmacau.wordpress.com/2014/02/14/macau-tem-mercado-para-as-ideias/


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