quarta-feira, 10 de julho de 2013

Mercado de Cinema: Ideia de Liberdade no cinema brasileiro




O subsecretário de Comunicação Social do governo do Rio de Janeiro, Ricardo Cota, também esteve presente na Casa da Liberdade deste ano. Ele, que também é cineasta, fez uma palestra sobre “Liberdade no cinema brasileiro”, com destaque para Graciliano Ramos – o grande homenageado da Flip – e Nélson Pereira dos Santos.


Jornalista Ana Mota e o crítico de cinema Ricardo Cota

Cota, ao pensar sobre o tema da palestra, observou que ele era muito amplo. Naquele momento, ele gostaria de ter um projetor que o auxiliasse a focar melhor o assunto para torná-lo mais interessante para um debate na Flip.

Depois, segundo Ricardo, tudo foi encaixando-se perfeitamente. Afinal, o homenageado era Graciliano Ramos, um ídolo para Nelson Pereira dos Santos, considerado um dos cineastas mais importantes para o cinema nacional até hoje.

Segundo Cota, Graciliano não era apenas um escritor, um contista, mas um militante político com passagem pelo poder público. Nelson era do Partido Comunista Brasileiro, assim como Graciliano.

De acordo com o cineasta, Graciliano nunca viu os filmes de Nelson Pereira dos Santos. Mas, sempre quis que ele adaptasse suas obras para o cinema. E isso acabou acontecendo anos mais tarde com “Vidas Secas” e “Memórias do Cárcere”.

Na opinião do palestrante, esses talvez sejam dois dos maiores filmes da história do cinema brasileiro, pois narram momentos cruciais da história da política brasileira. “Vidas Secas”, por exemplo, trouxe um impacto muito grande à geração do “Cinema Novo”. Segundo Ricardo, isso ocorreu porque era uma adaptação que tinha a ideia de liberdade estética e criativa livre.

Sobre “Memórias do cárcere”, Cota afirmou que ele marcou o início do processo de abertura democrática no Brasil. Em nenhum momento se falou de política de forma tão direta quanto nesse filme, que retrata a prisão de Graciliano e toda a sua trajetória dentro do cárcere.

Segundo o subsecretário, Nélson foi um dos poucos intelectuais que não viveu um exilio fora do Brasil, optando por se exilar em Paraty, estado do Rio de Janeiro, onde permaneceu quatro anos e produziu três filmes. O primeiro, inspirado em Machado de Assis, “Azyllo muito louco” (1969). O segundo foi “Como era gostoso o meu Francês.”(1971) e por último, um filme alternativo, um diferencial na carreira do artista que foi “Quem é Beta” (1972).

Cota falou ainda sobre o clima de gravações dessas obras em Paraty, que era agradável e livre. Leila Diniz, que participou das gravações de “Azyllo muito louco”, destacou isso certa vez:

“(…) andar descalça, não pentear os cabelos, fazer cena do jeito que a gente resolve.”

Ao falar sobre o panorama atual do mercado cinematográfico, o subsecretário destacou que o Brasil está criando um mercado de cinema em que atores, já podem sobreviver apenas da Sétima Arte.

“Hoje temos mais de cinco títulos nacionais com mais de um milhão de espectadores no cinema.”

Para Cota, o mercado nacional está mais mercadológico, com uma visão mais para a comédia em um formato mais rápido de filme que atinja e agrade um público maior.

Ao final, Cota afirmou nunca ter visto uma FLIP tão “cinematográfica”, e gostaria que houvesse mais debates sobre o cinema nacional e suas obras em outras edições da “Festa Literária de Paraty”.

Por Teoni Calaça

fonte: http://www.revistavoto.com.br/

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