sexta-feira, 3 de maio de 2013

Mercado de Cinema: Cinema-verdade contra a maldição da chatice



Explorar o território entre o real e o ficcional é o que move o diretor Paschoal Samora, da Conspiração. Responsável por documentários como Gretchen Filme Estrada, o profissional compartilha sua história


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Paschoal SamoraCrédito: Divulgação

Por Isabella Lessa

Atividade: “Ir ao parque Villa-Lobos com meu filho.”
Documentarista: Eduardo Coutinho
Música: Rolling Stones (”gosto de rock.”)

Paschoal Samora dedicou muito tempo da sua adolescência frequentando cineclubes. Na companhia de outros amigos cinéfilos, passava noites em claro nas sessões dos extintos Cine Bijou e Cine Bixiga para assistir filmes do cineasta francês François Truffaut.

Formou-se no curso de cinema na Faap e, pouco depois, começou a trabalhar na Super Filmes como assistente. Por acaso, envolveu-se com o documentário. Da corrente do cinema directo, Samora extraiu o flerte com a subjetividade. “Sempre me interessei pelo documentário ensaístico. Vai contra essa maldição de que tem que ser chato. E deve provocar uma reflexão mais profunda”, conta.

Tal conceito permeia todos os trabalhos de Samora. “O Diário de Naná”, documentário com roteiro e direção assinados por ele, mostra a viagem do percussionista Naná Vasconcelos pelo Recôncavo Baiano, em busca do som da natureza e da cultura do lugar. “Propus ao Naná uma viagem mais sensorial, sem mapa”, explica. Já em “A Chave da Casa”, Samora e a diretora Stela Grisotti contaram dois momentos na vida de refugiados palestinos: no campo da Jordânia e no Brasil. “Esperamos o tempo de uma gestação para voltar a encontra-los no País”, diz o diretor.

No campo publicitário, Samora também pode contar histórias. No filme do Bilhete Único, feito para o Governo do Rio de Janeiro, o diretor capta o cotidiano de uma pessoa comum. “Também busco os personagens para os comerciais, não coloco um discurso na boca deles”, afirma o diretor, que diz perceber uma tendência de comerciais documentais no mercado. “A publicidade se apropria da linguagem do documentário, e cabe a nós aproveitar isso”, observa.

Seu trabalho mais recente pode ser visto no canal pago GNT e também no Fantástico, na TV Globo. “Mundo sem mulheres”, série coproduzida pela Conspiração, em parceria com a BBC, propõe um desafio a 11 homens no bairro de Bangu, subúrbio carioca. Sem suas mulheres, eles têm que assumir suas tarefas. “Durante as filmagens, contatamos que os caras resolvem as questões de forma diferente das mulheres, e não pior. A ausência do companheirismo e do amor de suas esposas é o que pesa mais”, revela. “Só no Brasil o documentário perde para a ficção. Queremos romper o bloqueio desse formato na TV brasileira”, finaliza.



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Campanha Telefônica Educação (2011) – agência DM9Crédito: Divulgação

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fonte:http://www.meioemensagem.com.br

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